Os Espíritos Sofredores 2ª Parte - Exemplos

OS ESPRITOS SOFREDORES 2 PARTE EXEMPLOS www.aloisiocolucci.wordpress.com O CU E O INFERNO MDULO V AULA 15 111 slides Imagem: Sociedade dos Espritos OBJETIVOS Fazer uma exposio geral do estudo dos culpados por ocasio da entrada no mundo dos

espritos, e sobre as penalidades a que esto sujeitos, seguido de numerosos exemplos acerca da situao real da alma durante e depois da morte. ABORDAGENS

O castigo, por Georges; Novel; Auguste Michel; Exprobraes de um bomio; Lisbeth; Prncipe de Ouran; Pascal Lavic; Ferdinand Bertin; Franois Riquier; Claire;

A diferena entre a moral divina e a moral humana; Estudo sobre as comunicaes de Claire; Perg. (A So Lus.) Que devemos entender por trevas em que se acham mergulhadas certas almas sofredoras? Sero as referidas tantas vezes na Escritura? Perg. (A So Lus.) Qual a causa de a educao moral dos desencarnados ser mais fcil que a dos encarnados? O CASTIGO, POR GEORGES Exposio geral do estudo dos culpados por ocasio da entrada no mundo dos espritos, ditada Sociedade Esprita de Paris, em 1860. Depois da morte, os Espritos endurecidos, egostas e maus so logo presas de uma dvida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. Olham em torno de si e nada veem que

possa aproveitar ao exerccio da sua maldade o que os desespera, visto como o insulamento e a inrcia so intolerveis aos maus Espritos; No elevam o olhar s moradas dos Espritos elevados, consideram o que os cerca e, ento, compreendendo o abatimento dos Espritos fracos e punidos, se agarraram a eles como a uma presa, utilizando-se da lembrana de suas faltas passadas, que eles pem continuamente em ao pelos seus gestos ridculos. No lhes bastando esse motejo, atiram-se para a Terra quais abutres famintos, procurando entre os homens uma alma que lhes d fcil acesso s tentaes.

Encontrando-a, dela se apoderam exaltando-lhe a At que por fim, senhores de uma conscincia e vendo segura a presa, estendem a tudo quanto se lhe aproxime a fatalidade do seu contgio. O mau Esprito, no exerccio da sua clera, quase feliz, sofrendo apenas nos momentos em que deixa de atuar, ou nos casos em que o bem triunfa do mal. Passam no entanto os sculos, e, de repente, o mau Esprito pressente que as trevas acabaro por envolv-lo; o crculo de ao se lhe restringe e a conscincia, muda at ento, faz-lhe sentir os acerados espinhos do remorso.

Inerte, arrastado no turbilho, ele vagueia, como dizem as Escrituras, sentindo a pele arrepiar-se lhe de terror. No tarda, ento, que um grande vcuo se faa nele e em torno dele: chega o momento em que deve expiar; a reencarnao a est ameaadora e ele v como num espelho as provaes terrveis que o aguardam; quereria recuar, mas avana e, precipitado no abismo da vida, rola em sobressalto, at que o vu da ignorncia lhe recaia sobre os olhos. Vive, age, ainda culpado, sentindo em si no sei Por fim, extenuado de foras e de crimes, vai morrer. Estendido numa enxerga ou num leito,

que importa?! o homem culpado sente, sob aparente imobilidade, revolver-se e viver dentro de si mesmo um mundo de esquecidas sensaes. Fechadas as pupilas, ele v um claro que desponta, ouve estranhos sons; a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se impaciente, enquanto as mos crispadas tentam agarrar as cobertas Quereria falar, gritar aos que o cercam: Retenham-me! eu vejo o castigo! Impossvel! a morte sela-lhe os lbios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa em paz! E contudo ele ouve, flutuando em torno do corpo que no deseja abandonar. Uma fora misteriosa o

atrai; v, e reconhece finalmente o que j vira. Espavorido, ei-lo que se lana no Espao onde desejaria ocultar-se, e nada de abrigo, nada de repouso! Retribuem-lhe outros Espritos o mal que fez; castigado, confuso e escarnecido, por sua vez vagueia e vaguear at que a divina luz o penetre e esclarea, mostrando-lhe o Deus vingador; O Deus triunfante de todo o mal, e ao qual no poder apaziguar seno a fora de expiao e gemidos. Georges. Nunca se traou quadro mais terrvel e

verdadeiro a sorte do mau; ser ainda necessria a fantasmagoria das chamas e das torturas fsicas? NOVEL (O Esprito dirige-se ao Mdium, que em vida o conhecera). Vou contar-te o meu sofrimento quando morri. Meu Esprito, preso ao corpo por elos materiais, teve grande dificuldade em desembaraar-se o que j foi, por si, uma rude angstia. A vida que eu deixava aos 21 anos era ainda to vigorosa que eu no podia crer na sua perda. Por isso procurava o corpo, estava admirado, apavorado por me ver perdido num turbilho de

Por fim, a conscincia do meu estado e a revelao das faltas cometidas, em todas as minhas encarnaes, feriram-me subitamente, enquanto uma luz implacvel me iluminava os mais secretos magos da alma, que se sentia desnudada e logo possuda de vergonha acabrunhante. Procurava fugir a essa influncia interessandome pelos objetos que me cercavam, novos, mas que, no entanto, j conhecia; Os Espritos luminosos, flutuando no ter, davamme a ideia de uma ventura a que eu no podia Formas sombrias e desoladas, mergulhadas umas em tedioso desespero; furiosas ou irnicas outras, deslizavam em torno de mim

ou por sobre a terra a que me chumbava. Eu via agitarem-se os humanos cuja ignorncia invejava; toda uma ordem de sensaes desconhecidas, ou antes reencontradas, invadiram-me simultaneamente. Como que arrastado por fora irresistvel, procurando fugir dor encarniada, franqueava as distncias, os elementos, os

Sem que as belezas naturais nem os esplendores celestes pudessem calmar um instante a dor acerba da conscincia, nem o pavor causado pela revelao da eternidade. Pode um mortal prejulgar as torturas materiais pelos arrepios da carne; Mas as vossas frgeis dores, amenizadas pela esperana, atenuadas por distraes ou mortas pelo esquecimento, no vos daro nunca a ideia das angstias de uma alma que sofre sem trguas, sem esperana, sem arrependimento. Decorrido um tempo cuja durao no posso precisar, invejando os eleitos cujos esplendores entrevia, detestando os maus Espritos que me

perseguiam com remoques, desprezando os humanos cujas torpezas eu via, passei de profundo abatimento a uma revolta insensata. Chamaste-me finalmente, e pela primeira vez um sentimento suave e terno me acalmou; escutei os ensinos que te do os teus guias, a verdade imps-se-me, orei; Deus ouviu-me, revelou-se-me por sua Clemncia, como j se me havia revelado por sua Justia. AUGUST MICHEL (Havre, maro de 1863). Era um moo rico, bomio, gozando larga e exclusivamente a vida material. Conquanto inteligente, o indiferentismo pelas coisas srias

era-lhe o trao caracterstico. Sem maldade, antes bom que mau, fazia-se estimar por seus companheiros de pndegas, sendo apontado na sociedade por suas qualidades de homem mundano; no fez o bem, mas tambm no fez o mal. Faleceu em consequncia de uma queda da carruagem em que passeava. Evocado alguns dias depois da morte por um mdium que indiretamente o conhecia, deu sucessivamente as seguintes comunicaes: 8 de maro de 1863. Por enquanto apenas consegui desprender-me e dificilmente vos posso falar. A queda que me ocasionou a morte do corpo perturbou profundamente o meu Esprito. Inquieta-me esta

incerteza cruel do meu futuro. O doloroso sofrimento corporal experimentado nada comparativamente a esta perturbao. Orai para que Deus me perdoe. Oh! que dor! Oh! graas, meu Deus! que dor! Adeus. . 18 de maro. J vim a vs, mas apenas pude falar dificilmente. Presentemente, ainda mal me posso comunicar convosco. Sois o nico mdium, ao qual posso pedir preces para que a bondade de Deus me subtraia a esta perturbao. Por que sofrer ainda, quando o corpo no mais sofre? Por que existir sempre esta dor horrenda, esta

angstia terrvel? Orai, oh! orai para que Deus me conceda repouso Oh! que cruel incerteza! Ainda estou ligado ao corpo. Apenas com dificuldade posso ver onde devo encontrar-me; meu corpo l Vinde orar sobre ele para que eu me desembarace dessa priso cruel Deus me perdoar, espero. Vejo os Espritos que esto junto de vs e por eles posso falar-vos. Orai por mim. 6 de abril. Sou eu quem vem pedir que oreis por mim. Ser preciso irdes ao lugar em que jaz meu corpo, a fim de implorar do Onipotente que me acalme os sofrimentos? Sofro! Oh! se sofro! Ide a esse lugar assim preciso e dirigi ao

Senhor uma prece para que me perdoe. Vejo que poderei ficar mais tranquilo, mas volto incessantemente ao lugar em que depositaram o O mdium, no dando importncia ao pedido que lhe faziam de orar sobre o tmulo, deixara de atender. Todavia, indo a, mais tarde, l mesmo recebeu uma comunicao. 11 de maio. Aqui vos esperava. Aguardava que visseis ao lugar em que meu Esprito

parece preso ao seu invlucro, a fim de implorar ao Deus de misericrdia e bondade acalmar os meus sofrimentos. Podeis beneficiar-me com as vossas preces, no o esqueais, eu vo-lo suplico. Vejo quanto a minha vida foi contrria ao que deveria ser; vejo as Fui no mundo um ser intil; no fiz uso algum proveitoso das minhas faculdades; a fortuna serviu apenas satisfao das minhas paixes, aos meus caprichos de luxo e minha vaidade, no pensei seno nos gozos do corpo, desprezando os da alma e a prpria alma. Descer a misericrdia de Deus at mim, pobre Esprito que sofre as consequncias das suas

faltas terrenas? Orai para que Ele me perdoe, libertando-me das dores que ainda me pungem. Agradeo-vos o terdes vindo aqui orar por mim. 8 de junho. Posso falar e agradeo a Deus que mo faculta. Compreendi as minhas faltas e espero que Deus me perdoe. Trilhai sempre na vida de conformidade com a crena que vos alenta, porque ela vos reserva de futuro um repouso que eu ainda no tenho. Obrigado pelas vossas preces. At outra vista. A insistncia do Esprito, para que se orasse sobre o seu tmulo, uma particularidade

notvel, Mas que tinha sua razo de ser se levarmos em conta a tenacidade dos laos que ao corpo o prendiam, dificuldade do desprendimento, em consequncia da materialidade da sua existncia. Compreende-se que, mais prxima, a prece pudesse exercer uma espcie de ao magntica mais poderosa no sentido de auxiliar o desprendimento. O costume quase geral de orar junto aos cadveres no provir da intuio inconsciente de um tal efeito? Nesse caso, a eficcia da prece alcanaria um resultado simultaneamente moral e material.

EXPROBRAES DE UM BOMIO 30 de julho. Presentemente sou menos infeliz, visto no mais sentir a pesada cadeia que me jungia ao corpo. Estou livre, enfim, mas ainda no expiei e preciso que repare o tempo perdido se eu no quiser prolongar os sofrimentos. Espero que Deus, tendo em conta a sinceridade do arrependimento, me concede a graa do seu perdo. Pedi ainda por mim, eu vo-lo suplico. Homens, meus irmos, eu vivi s para mim e agora expio e sofro! Conceda-vos Deus a graa de evitardes os espinhos que ora me laceram.

Prossegui na senda larga do Senhor e orai por mim, pois abusei dos favores que Deus faculta s suas criaturas! Quem sacrifica aos instintos brutos a inteligncia e os bons sentimentos que Deus lhe d, assemelhase ao animal que muitas vezes se maltrata. O homem deve utilizar-se sobriamente dos bens de que depositrio, habituando-se a visar a eternidade que o espera, abrindo mo, por A sua alimentao deve ter por exclusivo fim a vitalidade; o luxo deve apenas restringir-se s necessidades da sua posio; os gostos, os pendores, mesmo os mais naturais, devem obedecer ao mais so raciocnio; sem o que, ele se materializa em vez de se purificar.

As paixes humanas so estreitos grilhes que se enroscam na carne e, assim, no lhes deis abrigo. Vs no sabeis o seu preo, quando regressamos ptria! As paixes humanas vos despem antes mesmo de vos deixarem, de modo a chegardes nus, completamente nus, ante o Senhor. Ah! cobri-vos de boas obras que vos ajudem a franquear o Espao entre vs e a eternidade. Manto brilhante, elas escondem as vossas torpezas humanas. Envolvei-vos na caridade e no amor, vestes divinas que duram eternamente. Instrues do guia do mdium. Este Esprito est num bom caminho, porquanto, alm do arrependimento, aduz conselhos tendentes a

evitar os perigos da senda por ele trilhada. Reconhecer os erros j um mrito e um passo efetivo para o bem: tambm por isso, a sua situao, sem ser venturosa, deixa de ser a Arrependendo-se, resta-lhe a reparao de uma outra existncia. Mas, antes de l chegar, sabeis qual a existncia desses homens de vida sensual que no deram ao Esprito outra atividade alm

da inveno de novos prazeres? A influncia da matria segue-os alm-tmulo, sem que a morte lhes ponha termo aos apetites que a sua vista, to limitada como quando na Terra, procura em vo os meios de os saciar. Por no terem nunca procurado alimento espiritual, a alma erra no vcuo, sem norte, sem esperana, presa dessa ansiedade de quem no tem diante A inexistncia das lucubraes espirituais acarreta naturalmente a nulidade do trabalho espiritual depois da morte; e porque no lhe restem meios de saciar o corpo, nada restar para satisfazer o Esprito; Da, um tdio mortal cujo termo no preveem e

ao qual prefeririam o nada; Mas o nada no existe; puderam matar o corpo, mas no podem aniquilar o Esprito; Importa pois que vivam nessas torturas morais, at que, vencidos pelo cansao, se decidam a volver os olhos para Deus. . LISBETH (Bordeaux, 13 de fevereiro de 1862). Um Esprito sofredor inscreve-se com o nome de

Lisbeth. Quereis dar-nos algumas informaes a respeito da vossa posio, assim como da causa dos vossos sofrimentos? R. Sede humilde de corao, submisso vontade de Deus, paciente na provao, caridoso para com o pobre, consolador do fraco, sensvel a todos os sofrimentos e no sofrereis as torturas Pareceis sentir as falhas decorrentes de contrrio procedimento O arrependimento dever dar-vos alvio? R. No; o arrependimento intil quando apenas produzido pelo sofrimento. O arrependimento profcuo tem por base a mgoa de haver ofendido a Deus, e importa no desejo ardente de uma

reparao. Ainda no posso tanto, infelizmente. Recomendai-me s preces de quantos se interessam pelos sofrimentos alheios, porque delas tenho necessidade. Este ensinamento uma grande verdade; s vezes o sofrimento provoca um brado de arrependimento Que no a expresso de pesar pela prtica do mal, visto como, se o Esprito deixasse de sofrer, no duvidaria reencet-la.

Eis por que o arrependimento nem sempre acarreta a imediata libertao do Esprito; predispe-no, porm, para ela, eis tudo; -lhe preciso, alm disso, provar a sinceridade e firmeza da resoluo, por meio de novas provaes reparadoras do mal praticado. Meditando-se cuidadosamente sobre todos os exemplos que citamos, encontrar-se- nas palavras dos Espritos, mesmo dos mais Pondo-nos a par dos mais ntimos pormenores da vida espiritual. O homem superficial pode no ver nesses exemplos mais que pitorescas narrativas; mas o homem srio e refletido encontrar neles abundante manancial de

estudos. Farei o que desejais. Podereis dar-me alguns pormenores da vossa ltima existncia corporal? Da talvez nos advenha um ensinamento til e assim tornareis proveitoso o arrependimento. (O Esprito vacila na resposta, no s desta pergunta, como de algumas das que se seguem.) R. Tive um nascimento de elevada condio. Possua tudo o que os homens julgam a fonte da felicidade. Rica, tornei-me egosta; bela, fui vaidosa, insensvel, hipcrita; nobre, era ambiciosa. Calquei ao meu poderio os que se me no rolavam aos ps e oprimia ainda mais os que sob eles se colocavam, esquecida de que tambm

a clera do Senhor esmaga, cedo ou tarde, as mais altivas frontes. Em que poca vivestes? R. H cento e cinquenta anos, na Prssia. Desde ento no fizestes progresso algum como R. No; a matria revoltava-se sempre, e tu no podes avaliar a influncia que ela ainda exerce sobre mim, a despeito da separao do corpo. O orgulho agrilhoa-nos a brnzeas cadeias, cujos anis mais e mais comprimem o msero que lhe hipoteca o corao. O orgulho, hidra de cem cabeas a renovarem-se incessantes, modulando silvos empeonhados que chegam a parecer celeste harmonia!

O orgulho esse demnio multiforme que se amolda a todas as aberraes do Esprito, que se oculta em todos os refolhos do corao; Que penetra as veias; que absorve e arrasta s trevas da eterna Geena. Oh! sim eterna! Provavelmente, o Esprito diz no ter feito progresso algum, por ser a sua situao sempre penosa; a maneira pela qual descreve o orgulho e lhe deplora as consequncias , incontestavelmente, um progresso; certo, quando

encarnado e mesmo logo aps a morte, ele no poderia raciocinar assim. Compreende o mal, o que j alguma coisa, e a coragem e o propsito de o evitar lhe adviro mais tarde. Deus muito bom para no condenar seus filhos R. Dizem que isto pode ter um termo, mas onde e quando? H muito que o procuro e s vejo sofrimento, sempre, sempre, sempre! Como viestes hoje aqui? R. Conduzida por um Esprito que me acompanha muitas vezes. Desde quando o vedes, a esse Esprito? R. No h muito tempo. E desde quando tendes conscincia das faltas que

cometestes? R. (Depois de longa reflexo.) Sim, tendes razo: foi da para c que principiei a v-lo. Compreendeis agora a relao existente entre o arrependimento e o auxlio prestado por vosso R. Oh! como desejaria que assim fosse. Tomai por origem desse apoio o amor de Deus, cujo fim ser o seu perdo e misericrdia infinitos. Creio poder prometer no nome, alis sacratssimo, daquele que jamais foi surdo voz dos filhos aflitos. Pedi de corao e sereis ouvida. R. No posso; tenho medo. Oremos juntos, Ele nos atender. (Depois da prece.) Ainda estais a? R. Sim. Obrigada! No

me esqueais. Vinde inscrever-vos aqui todos os dias. Visto serem lio que a todos aproveita no sentido de se preservarem dos mesmos perigos e de idnticos castigos. Purificai os coraes, sede humildes, amai-vos e ajudai-vos sem esquecerdes jamais a fonte de todas as graas, fonte inesgotvel na qual podem todos saciar-se vontade, fonte de gua viva que desaltera e alimenta igualmente, fonte de vida e ventura eterna. Ide a ela, meus amigos, e bebei com f. Mergulhai nela as vossas vasilhas, que sairo de suas ondas pejadas de bnos; adverti vossos

Difundi as bnos do Senhor, que se reproduzem incessantes; e quanto mais as propagardes, tanto mais se multiplicaro. Est em vossas mos a tarefa, porquanto, dizendo aos vossos irmos: a esto os perigos, l os escolhos; vinde conosco a fim de os evitar; imitainos a ns que damos o exemplo; assim difundireis as bnos do Senhor sobre os que vos ouvirem. Abenoados sejam os vossos esforos. O Senhor ama os coraes puros: fazei por merecer-lhe o amor. Saint Paulin. PRINCIPE DE OURAN (Bordeaux, 1862).

Um Esprito sofredor apresentou-se dando o nome de Ouran, prncipe russo de outros tempos. Quereis dar-nos algumas minudncias sobre a vossa situao? R. Oh! felizes os humildes de corao, porque deles o reino do Cu! Orai por mim. Felizes os humildes de corao que escolhem uma posio modesta a fim de cumprirem a provao. Vs todos, a quem devora a inveja, no sabeis o estado a que ficou reduzido um desses que na Terra so considerados felizes; no avaliais o fogo que o abrasa nem os sacrifcios impostos pela riqueza quando por ela se quer obter a

salvao! Permita-me o Senhor a mim, dspota orgulhoso, expiar os crimes derivados do meu orgulho entre aqueles mesmos a quem oprimi com a tirania! Orgulho! Repita-se constantemente a palavra para que se no esquea nunca que ele a fonte de todos os sofrimentos que nos acabrunham. Sim, eu abusei do poderio e favores de que dispunha, fui duro e cruel para com os inferiores, os quais tiveram de curvar-se a todos os meus caprichos, satisfazer a todas

as minhas depravaes. Quis a nobreza, a fortuna, as honras, e sucumbi sob peso superior s prprias foras. Os Espritos que sucumbem so geralmente levados a alegar um compromisso superior s prprias foras o que ainda um resto de orgulho e um meio de se desculparem para consigo mesmos, no se conformando com a prpria fraqueza. Deus no d a ningum mais do que Demais, os Espritos tm liberdade; o que lhes falta a vontade, e esta depende deles exclusivamente; com fora de vontade no h tendncias viciosas insuperveis; mas, quando um vcio nos apraz,

natural que no faamos esforos por domin-lo. Assim, somente a ns devemos atribuir as respectivas consequncias. Tendes conscincia das vossas faltas, e isso j um passo para a regenerao. R. Esta conscincia ainda um sofrimento. Para muitos Espritos o sofrimento um efeito quase material, visto como, atidos humanidade de sua ltima encarnao, no experimentam nem apreendem as sensaes morais. Liberto da matria, o sentimento moral

aumentou-se, para mim, de tudo quanto as cruis sensaes fsicas tinham de horrvel. Lobrigais um termo aos vossos padecimentos? R. Sei que no sero eternos, mas no lhes entrevejo o fim, sendo-me antes preciso recomear a provao. E esperais faze-lo em breve? R. No sei ainda. Lembrai-vos dos vossos antecedentes? Fao-vos esta pergunta no intuito de me instruir. R. Vossos guias a esto, e sabem do que precisais. Vivi no tempo de Marco Aurlio. Poderoso ento, sucumbi ao orgulho, causa de todas as quedas. Depois de uma erraticidade de

sculos, quis experimentar uma existncia obscura. Pobre estudante, mendiguei o po, mas o orgulho possua-me sempre: o Esprito ganhara em cincia, mas no em virtude. Sbio ambicioso, vendi a conscincia a quem mais dava, servindo a todas as vinganas, a todos os dios. Sentia-me culpado, mas a sede de glrias e A expiao ainda foi longa e cruel. Eu quis enfim, na minha ltima encarnao, reencetar uma vida de luxo e poderio, no intuito de dominar os tropeos, sem atender a conselhos. Era ainda o orgulho levando-me a confiar mais em mim mesmo do que no conselho dos protetores amigos que

sempre velam por ns. Sabeis o resultado desta ltima tentativa. Hoje, enfim, compreendo e aguardo a misericrdia do Senhor. Deponho a seus ps o meu arrasado orgulho e peo-lhe que me sobrecarregue com o mais pesado tributo de humildade, pois com o Orai comigo e por mim: orai tambm para que esse fogo diablico no devore os instintos que vos encaminham para Deus. Irmos de sofrimentos, oxal possa o meu exemplo aproveitar-vos e no esqueais nunca que o orgulho o inimigo da felicidade. dele que promanam todos os males que acometem a Humanidade e a perseguem at nas regies celestes.

O guia do mdium: Concebestes dvidas sobre a identidade deste Esprito, por vos parecer a sua linguagem em desacordo com o estado de sofrimento acusando inferioridade. Desvanecei tais dvidas, porque recebestes uma comunicao sria. Por mais sofredor, este Esprito tem assaz culta inteligncia para exprimir-se de tal maneira. O que lhe faltava era apenas a humildade, sem a qual nenhum Esprito pode chegar a Deus. Essa humildade conquistou-a agora, e ns esperamos que, com perseverana, ele sair triunfante de uma nova provao. Nosso Pai celestial justssimo na sua sabedoria e leva em conta os esforos da criatura para

dominar os maus instintos. Cada vitria sobre vs mesmos um degrau franqueado nessa escada que tem uma extremidade na Terra e Alai-vos por esses degraus resolutamente, porque a subida tanto mais suave quanto firme a vontade. Olhai sempre para cima a fim de vos encorajardes, porque ai daquele que para e se volta. Depressa o atinge a vertigem, espanta-se do vcuo que o cerca, desanima e diz: para que mais caminhar, se to pouco o tenho feito e tanto me falta? No, meus amigos, no vos volteis. O orgulho est incorporado no homem; pois bem! aproveita-o na fora e na coragem de terminar a vossa ascenso. Empregai-o ainda em dominar as fraquezas e galgai o

topo da montanha eterna. . PASCAL LAVIC (Havre, 8 de agosto de 1863). Este Esprito, sem que o mdium o conhecesse em vida, mesmo de nome, comunicou-se espontaneamente. Creio na bondade de Deus, que, na sua misericrdia, se compadecer do meu Esprito. Tenho sofrido muito, muito; pereci no

mar. Meu Esprito, ligado ao corpo, vagou por muito tempo sobre as ondas. Deus (A comunicao foi interrompida, e no dia houve por bem permitir que as preces dos que ficaram na Terra me tirassem do estado de perturbao e incerteza em que me achava imerso. Esperaram-me por muito tempo e puderam enfim achar meu corpo. Este repousa atualmente, ao passo que o Esprito, libertado com dificuldade, v as faltas cometidas, a provao consumada. Deus julga com justia, a sua bondade estende-se aos arrependidos. Por muito tempo, juntos erraram o corpo e o Esprito, sendo essa a minha expiao. Segui o

caminho reto, se quiserdes que Deus facilite o Vivei no seu amor, orai, e a morte, para tantos temerosa, vos ser suavizada pelo conhecimento da vida que vos espera. Sucumbi no mar, e por muito tempo me esperaram. No poder desligar-me do corpo era para mim uma terrvel provao, eis por que necessito das preces de quem, como vs, possui a crena salvadora e pode pedir por mim ao Deus de justia. Arrependo-me e espero ser perdoado. A 6 de agosto foi meu corpo encontrado. Eu era um pobre marinheiro e h muito tempo que morri. Orai por mim.

P. Onde foi achado o vosso corpo? R. No muito longe de vs. O Journal du Havre, de 11 de agosto de 1863, continha o seguinte tpico, do qual o mdium no podia ter cincia: Noticiamos que a 6 do corrente se encontrara um resto de cadver encalhado entre Blville e La Hve. A cabea, os braos e o busto tinham desaparecido, mas, apesar disso, pde verificar-se a sua identidade pelos sapatos Foi reconhecido o corpo do pescador Lavic, que fora arrebatado a 11 de dezembro de bordo do navio LAlerte, por uma rajada de mar. Lavic tinha

49 anos de idade e era natural da cidade de Calais. Foi a viva quem lhe reconheceu a identidade. A 12 de agosto, como se tratasse desse acontecimento no Centro em que o Esprito se manifestara pela primeira vez, deu este de novo, e espontaneamente, a seguinte comunicao: Sou efetivamente Pascal Lavic, que tem necessidade das vossas preces. Podeis beneficiarme, pois terrvel foi a provao por mim A separao do meu Esprito do corpo s se deu depois que reconheci as minhas faltas; e depois disso, ainda no totalmente

destacado, acompanhava-o no oceano que o tragara. Orai, pois, para que Deus me perdoe e me conceda repouso. Orai, eu vo-lo suplico. Oxal este desastrado fim de uma infeliz vida terrena vos sirva de grande ensinamento! Deveis ter sempre em vista a vida futura, no deixando jamais de implorar a Deus a sua divina misericrdia. Orai por mim; tenho necessidade que Deus de mim se compadea. FERDINAND BERTIN Um mdium do Havre evocou o Esprito de pessoa dele conhecida, que respondeu: Quero comunicar-me, porm no posso vencer o

obstculo existente entre ns. Sou forado a deixar que se aproximem estes infelizes sofredores. Seguiu-se ento a seguinte comunicao espontnea: Estou num medonho abismo! Auxilia-me Oh! meu Deus! quem me tirar deste abismo? Quem socorrer com mo piedosa o infeliz tragado Por toda parte o marulho das vagas, e nem uma palavra amiga que me console e ajude neste momento supremo. Entretanto, esta noite profunda

bem a morte com seus horrores, quando eu no quero morrer! Oh! meu Deus! no a morte futura, a passada! Estou para sempre separado dos que me so caros Vejo o meu corpo, e o que h pouco sentia era apenas a lembrana da angustiosa separao Tende piedade de mim, vs que conheceis o meu sofrimento; orai por mim, pois no quero mais sentir as laceraes da agonia, como tem essa, no entanto, a punio, bem a pressinto Conjuro-vos a orar! Oh! o mar o frio vou ser tragado pelas ondas! Socorro! Tende piedade: no me repilais! Ns nos salvaremos os dois sobre esta tbua! Oh! afogo-me! As vagas vo tragar-me

sem que aos meus reste o consolo de me tornarem a ver Mas no! que vejo? meu corpo balouado pelas ondas As preces de minha me sero ouvidas Pobre me! se ela pudesse supor seu filho to miservel como realmente o , decerto pediria mais; acredita, porm, que a morte santificou o passado e chora-me como mrtir e no como infeliz castigado! Oh! vs que o sabeis, sereis implacveis? No, certo intercedereis por mim. Franois Bertin. Desconhecido inteiramente esse nome, no sugeria sequer memria do mdium uma vaga lembrana, pelo que sups fosse de algum infeliz nufrago

que se lhe viesse manifestar espontaneamente, como sucedia vrias vezes. Mais tarde soube ser, efetivamente, o nome de uma das vtimas da grande catstrofe martima ocorrida nessas paragens a 2 de dezembro de 1863. A comunicao foi dada a 8 do mesmo O indivduo perecera fazendo tentativas inauditas para salvar a equipagem e no momento em que se julgava ao abrigo da morte. No tendo qualquer parentesco com o mdium, nem

mesmo conhecimento, por que se teria manifestado a este em vez de o fazer a qualquer membro da famlia? que os Espritos no encontram em todas as pessoas as condies fludicas imprescindveis manifestao; este, na perturbao em que estava, nem mesmo tinha a liberdade da escolha, sendo conduzido instintiva e atrativamente para este mdium, dotado, ao que parece, de aptido especial para as comunicaes deste gnero; Tambm de supor que pressentisse uma simpatia particular, como outros a encontraram em idnticas circunstncias. A famlia, estranha ao Espiritismo, talvez infensa mesmo a esta crena, no teria acolhido a manifestao como

esse mdium. Posto que a morte remontasse a alguns dias, o Esprito lhe experimentava ainda todas as angstias. Evidente, portanto, que no tinha conscincia da situao; acreditava-se vivo, lutando com as ondas, mas ao mesmo tempo se referindo ao corpo como se dele estivesse Grita por socorro, diz que no quer morrer e fala logo aps da causa da sua morte, reconhecendo nela um castigo; toda essa incoerncia denota a confuso das ideias, fato comum em quase todas as mortes violentas. Dois meses mais tarde, a 2 de fevereiro de 1864, o

Esprito de novo se comunicou espontaneamente pelo mesmo mdium, dizendolhe o seguinte: A piedade que tivestes dos meus to horrveis sofrimentos aliviou-me. Compreendo a esperana, entrevejo o perdo, mas depois do Sofro continuamente, e, se por momentos permite Deus que eu entreveja o fim da minha desventura, devo-o s preces de caridosas almas apiedadas da

minha situao. Oh! esperana, raio celeste, quo bendita s quando te sinto despontar-me na alma! Mas, oh! o abismo escancara-se, o terror e o sofrimento absorvem o pensamento de misericrdia. A noite, sempre a noite! a gua, o bramir das ondas que me tragaram, so apenas plida imagem do horror em que se envolve o meu Esprito Fico mais calmo quando posso permanecer junto

de vs, pois assim como a confidncia de um segredo ao peito amigo nos alivia, assim a vossa piedade, motivada pela confidncia da minha penria, acalma o sofrimento e d repouso ao meu Esprito Fazem-me bem as vossas preces, no me as recuseis. No quero reapossar-me desse hrrido sonho que se transforma em realidade quando o vejo Tomai o lpis mais vezes. Muito me aliviar o comunicar convosco. Dias depois, numa reunio esprita em Paris, s quais respondeu numa nica comunicao e mediante outro mdium. Quem vos levou a comunicar espontaneamente

pelo outro mdium? De que tempo datava a vossa morte quando vos manifestastes? Quando o fizestes pareceis duvidar ainda do vosso estado, ao mesmo tempo que externveis angstias de uma morte horrvel: tendes agora melhor compreenso dessa situao? Dissestes positivamente que a vossa morte era uma expiao: podereis dizer-nos o motivo dessa afirmativa? Isso constituir ensinamento para Por uma confisso sincera fareis jus misericrdia de Deus, a qual solicitaremos em nossas preces. Resposta. Em

primeiro lugar parece impossvel que uma criatura humana possa sofrer to cruelmente. Deus! Como penoso verse a gente constantemente envolta nas vagas em fria, provando incessante este suplcio, este frio glacial que sobe ao estmago e o constringe! Mas, de que serve entreter-vos com tais cenas? No devo eu comear por obedecer s leis da gratido, agradecendo-vos a vs todos que vos Perguntastes se me manifestei muito tempo depois da morte? No posso responder facilmente. Refletindo, avaliareis em que situao horrvel estou ainda. Penso que para

junto do mdium fui trazido por fora estranha minha vontade; e, coisa inexplicvel, servia-me do seu brao com a mesma facilidade com que me sirvo neste momento do vosso, persuadido de que ele me pertencesse. Agora experimento mesmo um grande prazer, como que um alvio particular, que mas ah! eilo que vai cessar. Mas, meu Deus! terei foras Depois de ser muito animado, o Esprito ajuntou: Eu era muito culpado, e o que mais me tortura ser tido por mrtir, quando em verdade o no fui Na precedente existncia eu mandara ensacar vrias vtimas e atir-las ao mar Orai por mim! Comentrio de So Lus a esta

comunicao. Esta confisso trar grande alvio ao Esprito, que efetivamente foi bem culpado! Honrosa, porm, foi a existncia que vem de deixar; era O devotamento que demonstrou era uma reparao, sendo-lhe porm preciso resgatar as passadas faltas por uma expiao final, a da morte que teve; ele mesmo quis purificar-se pelo sofrimento das torturas que a outros infligira, e reparai que uma ideia o persegue: o pesar de ser tido como mrtir. Ser tomada em

considerao essa humildade. Enfim, ele deixou o caminho da expiao para entrar no da reabilitao, no qual por vossas preces podereis sustent-lo, fazendo que o trilhe a passo mais firme e resoluto. FRANOIES RIQUIER Era um velho celibatrio, avarento e muito popular, falecido em C, em 1857, legando aos parentes colaterais considervel fortuna. Em tempo fora locador de uma inquilina, que mais tarde o esquecera completamente, ignorando at se ainda, ou no, vivia. Em 1862, uma filha desta senhora, sujeita a crises

de catalepsia seguidas de espontneo sono magntico e tambm bom mdium escrevente, viu, num desses sonos, o Sr. Riquier, o qual, assegurava, pretendia dirigir-se sua me. Passados alguns dias, uma vez que se manifestara espontaneamente confirmando aquele intuito, entretiveram com ele a seguinte conversao: P. Que pretendeis de ns? R. O dinheiro do qual se apossaram, os miserveis, a fim de o repartirem! Venderam fazendas, casas, tudo para se locupletarem! Desbarataram meus bens como se no mais me pertencessem. Fazei que se me faa justia, j que a mim me no ouvem, e no quero presenciar

infmias tais. Dizem que eu era usurrio, e guardaram-me o cobre. Por que no mo querem P. Mas vs estais morto, meu caro senhor, e no tendes mais necessidade alguma de dinheiro. Implorai a Deus para vos conceder uma nova existncia de pobreza a fim de expiardes a usura desta ltima. R. No, eu no poderei viver na pobreza. Preciso do meu dinheiro, sem o qual no posso viver. Demais, no preciso de outra existncia, porque vivo estou atualmente. P. (Foi-lhe feita a seguinte pergunta no intuito de cham-lo realidade.) Sofreis?

R. Oh! sim. Sofro piores torturas que as da mais cruel enfermidade, pois minha alma quem as padece. Tendo sempre em mente a iniquidade de uma vida que foi para muitos motivo de escndalos, tenho a conscincia de ser um miservel indigno de piedade, mas o meu sofrimento to grande que mister se faz me auxiliem a sair desta situao deplorvel. P. Oraremos por vs. R. Obrigado! Orai para que eu esquea os meus bens terrenos, sem o que no poderei arrepender-me. 2 Adeus e obrigado. Franois Riquier curioso ver-se este Esprito indicar a moradia

como se estivesse vivo. A senhora deu-se pressa em verific-la e ficou muito surpreendida por ver que era justamente a ltima casa que Riquier habitara. Eis como, aps cinco anos, ainda ele no se considerava morto, antes experimentava a ansiedade, bem cruel para um usurrio, de ver os bens partilhados pelos herdeiros. A evocao, provocada indubitavelmente por qualquer Esprito bom, teve por fim fazer-lhe compreender o seu estado e predisp-lo ao CLAIRE (Sociedade de Paris, 1861). O Esprito que forneceu os ditados seguintes

pertenceu a uma senhora que o mdium conhecera quando na Terra. A sua conduta, como o seu carter, justificam plenamente os tormentos que lhe sobrevieram. Alm do mais, ela era dominada por um sentimento exagerado de orgulho e egosmo pessoais, sentimento que se patenteia na terceira das mensagens, quando pretende que o As comunicaes foram obtidas em diferentes pocas, sendo que as trs ltimas j denotam sensvel progresso nas disposies do Esprito, graas ao cuidado do mdium, que empreendera a sua educao moral. I. Eis-me aqui, eu, a infeliz Claire. Que queres tu

que te diga? A resignao, a esperana no passam de palavras, para os que sabem que, inumerveis como as pedras da saraivada, os sofrimentos lhe perduraro na sucesso interminvel dos sculos. Posso suaviz-los, dizes tu que vaga Onde encontrar coragem e esperana para tanto? Procura, pois, inteligncia obtusa, compreender o que seja um dia eterno. Um dia, um ano, um sculo Que sei eu? Se as horas o no dividem, as

estaes no variam; eterno e lento como a gua que o rochedo roreja, este dia execrando, maldito, pesa sobre mim como avalancha de chumbo Eu sofro! Em torno de mim, apenas sombras silenciosas e indiferentes Eu sofro! Contudo, sei que acima desta misria reina o Quero pensar nele, quero implorar-lhe misericrdia. Debato-me e vivo de rojo como o estropiado que rasteja ao longo do caminho. No

sei que poder me atrai para ti; talvez sejas a salvao. Eu te deixo mais calma, mais reanimada, qual anci enregelada que se aquecesse a um raio de sol. Glida, minha alma se reanima tua aproximao. II. A minha desgraa aumenta dia a dia, proporcionalmente ao conhecimento da eternidade. misria! Malditas sejam as horas de egosmo e inrcia, nas quais, esquecida de toda a Malditos interesses

humanos, preocupaes materiais que me cegaram e perderam! Agora o remorso do tempo perdido. Que te direi a ti, que me ouves? Olha, vela constantemente, ama os outros mais que a ti mesmo, no retardes a marcha nem engordes o corpo em detrimento da alma. Vela, conforme pregava o Salvador aos seus discpulos. No me agradeas estes conselhos, porque se o meu Esprito os concebe, o corao nunca os ouviu. Qual o co escorraado rastejando de medo, assim me humilho eu sem conhecer ainda o voluntrio amor. Muito tarda a sua divina aurora a despontar! Ora por

III. Por que me esqueces, at aqui venho procurar-te. Acreditas que preces isoladas e a simples pronncia do meu nome bastaro ao apaziguamento das minhas penas? No, cem vezes no. Eu urro de dor, errante, sem repouso, sem asilo, sem esperana, sentindo o aguilho eterno do castigo a enterrar-se-me na alma revoltada. Quando ouo os vossos lamentos, rio-me, assim como quando vos vejo abatido. As vossas efmeras misrias, as lgrimas, tormentos que o sono susta, que so? Quero que, deixando as tuas lucubraes filosficas, te ocupes de mim, alm de fazeres com

que outros mais tambm se ocupem. No tenho expresses para definir esse tempo que se escoa, sem que as horas lhe assinalem perodos. Vejo apenas um tnue raio de esperana, foste tu que ma deste: no me abandones, pois. IV. O Esprito So Lus. Este quadro de todo verdadeiro e em nada exagerado. Perguntar-se- talvez o que fez essa mulher para ser assim to miservel. Cometeu ela algum crime horrvel? roubou? assassinou? No; Ao contrrio, divertia-se com o que chamais felicidade terrena; beleza, gozos, adulaes, tudo lhe sorria, nada lhe faltava, a ponto de dizerem os que a viam: Que mulher feliz! E invejavam-lhe

a sorte. Mas, quereis saber? Foi egosta; possua tudo, exceto um bom corao. No violou a lei dos homens, mas a de Deus, visto como esqueceu a primeira das virtudes a caridade. No tendo amado seno a si mesma, agora no encontra ningum que a ame e v-se insulada, abandonada, ao desamparo no Espao, onde ningum pensa nela nem dela se ocupa. Eis Tendo apenas procurado os gozos mundanos que hoje no mais existem, o vcuo se lhe fez em torno, e como v apenas o nada, este lhe parece eterno. Ela no sofre torturas fsicas; no vm atorment-la os demnios, o que alis desnecessrio, uma vez que se atormenta a si mesma, e isso lhe mais doloroso,

porquanto, se tal acontecesse, os demnios seriam seres a ocuparem-se dela. O egosmo foi a sua alegria na Terra; pois bem, ainda ele que a persegue, verme a corroer-lhe o corao, seu verdadeiro demnio. So Lus. V. Falar-vos-ei da importante diferena existente entre a moral divina e a moral humana. A primeira assiste a mulher adltera no seu abandono e diz aos pecadores: Arrependei-vos, e aberto vos ser o reino dos Cus. Finalmente, a moral divina aceita todo arrependimento, todas as faltas confessadas, ao

passo que a moral humana rejeita aquele e sorri aos pecados ocultos que, diz, so em parte perdoados. Cabe a uma a graa do perdo, e a outra a hipocrisia. Escolhei, Espritos vidos da verdade! Escolhei Repelindo os soluos do arrependimento francamente patenteado, s para no ferir o seu egosmo e preconceitos. Arrependei-vos todos vs que pecais; renunciai ao mal e principalmente hipocrisia, vu que de torpezas, mscara

risonha de recprocas convenincias. VI. Estou mais calma e resignada expiao das minhas faltas. O mal no est fora de mim, reside em mim, devendo ser eu que me transforme e no as coisas exteriores. Em ns e conosco trazemos o Cu e o inferno; as nossas faltas, gravadas na conscincia, so lidas correntemente E uma vez que o estado da alma nos abate ou eleva, somos ns os juzes de ns mesmos. Explicome: um Esprito impuro e sobrecarregado de culpas no pode conceber nem anelar uma elevao que lhe seria insuportvel. Crede-o bem: assim como as diferentes espcies de seres vivem, cada qual, na esfera que lhes prpria, assim os Espritos, segundo o grau de

adiantamento, movem-se no meio adequado s suas faculdades e no concebem outro seno quando o progresso, instrumento da lenta transformao das almas, lhes subtrai as baixas Despojando-os da crislida do pecado, a fim de que possam adejar antes de se lanarem, rpidos quais flechas, para o fim nico e almejado Deus! Ah! rastejo ainda, mas no odeio mais, e concebo a indizvel felicidade do amor divino. Orai, pois, sempre por mim, que espero e aguardo. Na comunicao a seguir, Claire fala de seu marido, que muito a martirizara, e da posio em

que ele se encontra no mundo espiritual. Esse quadro, que ela por si no pde completar, foi VII. Venho procurar-te, a ti, que por tanto tempo me deixas no esquecimento. Tenho, porm, adquirido pacincia e no mais me desespero. Queres saber qual a situao do pobre Flix? Erra nas trevas entregue profunda nudez de sua alma. Superficial e leviano, aviltado pelo sensualismo, nunca soube o que eram o amor e a

amizade. Nem mesmo a paixo esclareceu suas sombrias luzes. Seu estado presente comparvel ao da criana inapta para as funes da vida e privada de todo o amparo. Flix vaga aterrorizado nesse VIII. O guia do mdium. Vou falar por Claire, visto que ela no pode continuar a anlise dos sofrimentos do marido, sem compartilh-los: Flix superficial nas ideias como

nos sentimentos; violento por fraqueza; devasso por frivolidade, entrou no mundo espiritual to nu quanto ao moral como quanto ao fsico. Qual homem ao despertar de prolongado sonho, reconhecendo a profunda agitao dos seus nervos, esse pobre ser, saindo da perturbao, reconhecer que viveu de quimeras, que lhe Ento, maldir do materialismo que lhe dera o vcuo pela realidade; apostrofar o positivismo que lhe fizera ter por desvarios as ideias sobre a vida futura, como por loucura a sua aspirao, como por fraqueza a crena em Deus.

O infeliz, ao despertar, ver que esses nomes por ele escarnecidos so a frmula da verdade, e que, ao contrrio da fbula, a caa da presa foi menos proveitosa que a da sombra. IX. ESTUDOS SOBRE AS COMUNICAES DE CLAIRE Estas comunicaes so instrutivas por nos mostrarem principalmente uma das feies mais comuns da vida a do egosmo. Delas no resultam esses grandes crimes que atordoam mesmo os mais perversos, mas a condio de uma turba enorme que vive neste mundo, honrada e venerada, somente por ter um

certo verniz e isentar-se do oprbrio da represso das leis sociais. Essa gente no vai encontrar castigos Natural e consentnea com o estado de sua alma e maneira de viver; o insulamento, o abandono, o desamparo, eis a punio daquele que s viveu para si. Claire era, como vimos, um Esprito assaz inteligente, mas de rido corao. A posio social, a fortuna, os dotes fsicos que na Terra possura, atraam-lhe homenagens gratas sua vaidade, o que lhe bastava; hoje, onde se encontra, s v indiferena e vacuidade em torno de si: punio essa no somente mais mortificante do que a dor que inspira piedade e

compaixo; Mas tambm um meio de obrig-la a despertar o interesse de outrem a seu respeito, pela sua sorte. A sexta mensagem encerra uma ideia perfeitamente verdadeira concernente

obstinao de certos Espritos na prtica do mal. Admiramo-nos de ver como alguns deles so insensveis ideia e mesmo ao espetculo da felicidade dos bons Espritos. exatamente a situao dos homens degradados que se deleitam na depravao como nas prticas grosseiramente sensuais. Esses homens esto, por assim dizer, no seu elemento: no concebem os prazeres delicados, preferindo farrapos andrajosos a vestes limpas e brilhantes, por se acharem naqueles mais vontade. Da a preterio de boas companhias por orgias bquicas e deboches. E de tal modo esses Espritos se identificam com

esse modo de vida, que ela chega a constituir lhes uma segunda natureza, acreditando-se incapazes mesmo de se elevarem acima da sua esfera. E assim se conservam at que radical transformao do ser lhes reavive a inteligncia, Esses Espritos, quando desencarnados, no podem prontamente adquirir a delicadeza dos sentimentos, e, durante um tempo mais ou

menos longo, ocuparo as camadas inferiores do mundo espiritual, tal como acontece na Terra; Assim permanecero enquanto rebeldes ao progresso, mas, com o tempo, a experincia, as tribulaes e misrias das sucessivas encarnaes, chegar o momento de conceberem algo de melhor do que at ento possuam; elevam-se lhes por fim as aspiraes, comeam a compreender o que lhes falta e principiam os Uma vez nesse caminho, a marcha rpida, visto

como compreenderam um bem superior, comparado ao qual os outros, que no passam de grosseiras sensaes, acabam por inspirar-lhes repugnncia. Perg. (A So Lus.) Que devemos entender por trevas em que se acham mergulhadas certas almas sofredoras? Sero as referidas tantas vezes na Escritura? R. Sim, efetivamente, as designadas por Jesus e pelos profetas em referncias ao castigo dos maus. Mas isso no passava de alegoria destinada a ferir os sentidos materializados dos seus contemporneos, os quais jamais poderiam compreender a punio de maneira espiritual. Certos Espritos esto imersos em trevas, mas deve-se depreender da uma verdadeira noite da

alma comparvel obscuridade intelectual do idiota. No uma loucura da alma, porm uma inconscincia daquele e do que o rodeia, a qual se produz quer na presena, quer na ausncia da luz material. , principalmente, a punio dos que duvidaram do seu destino. Pois que acreditaram em o nada, as aparncias desse nada os supliciam, at que a alma, caindo em si, quebra as malhas de enervamento que a prostrava e envolvia, tal qual o Com todo o vigor das suas faculdades, contra os terrores que de comeo o dominaram. Esta momentnea reduo da alma a um nada fictcio e consciente de sua existncia sentimento mais cruel

do que se pode imaginar, em razo da aparncia de repouso que a acomete: esse repouso forado, essa nulidade de ser, essa incerteza que lhe fazem o suplcio; o aborrecimento que a invade o mais terrvel dos castigos, visto como coisa alguma percebe em torno nem coisas, nem seres; somente trevas, em verdade, representa isso tudo para ela. So Lus. (Claire) Eis-me aqui. Tambm eu posso responder pergunta relativa s trevas, pois vaguei e sofri por muito tempo nesses limbos onde tudo soluo e misrias.

Sim, existem as trevas visveis de que fala a Escritura, e os infelizes que deixam a vida, ignorantes ou culpados, depois das provaes terrenas so impelidos a fria regio, inconscientes de si mesmos e do seu destino. Acreditando na perenidade dessa situao, a sua linguagem ainda a da vida que os seduziu, e admiram-se e espantam-se da profunda solido: trevas so, pois, esses lugares povoados e ao mesmo Espaos em que erram obscuros Espritos lastimosos, sem consolo, sem afeies, sem socorro de espcie alguma. A quem se dirigirem se sentem a eternidade, esmagadora, sobre eles? Tremem e lamentam os interesses mesquinhos que

lhes mediam as horas; deploram a ausncia das noites que, muitas vezes, lhes traziam, num sonho feliz, o esquecimento dos pesares. As trevas para o Esprito so: a ignorncia, o vcuo, o horror ao desconhecido No posso continuar Claire. Ainda sobre este ponto obtivemos a seguinte explicao: Por sua natureza, possui o Esprito uma propriedade luminosa que se desenvolve sob o influxo da atividade e das qualidades da alma. Poder-se-ia dizer que essas qualidades esto para o fluido perispiritual como o friccionamento para

o fsforo. A intensidade da luz est na razo da pureza do Esprito: as menores imperfeies morais atenuam-na e enfraquecem-na. A luz irradiada por um Esprito ser tanto mais Assim, sendo o Esprito, de alguma sorte, o seu prprio farol, ver proporcionalmente intensidade da luz que produz, do que resulta que os Espritos que no a produzem acham-se na obscuridade. Esta teoria perfeitamente exata quanto

irradiao de fluidos luminosos pelos Espritos superiores e confirmada pela observao, conquanto se no possa inferir seja aquela a verdadeira causa, ou, pelo menos, a nica causa do fenmeno; 2 porque um mesmo Esprito pode achar-se alternadamente na luz e na obscuridade; 3 finalmente porque a luz tambm castigo para os Espritos muito imperfeitos. Se a obscuridade em que jazem certos Espritos fosse inerente sua personalidade, essa obscuridade seria permanente e geral para todos os maus Espritos, o que alis no acontece, s vezes os perversos mais requintados veem

perfeitamente, ao passo que outros, que assim no podem ser qualificados, jazem, temporariamente, em trevas profundas. Assim, tudo indica que, independente da luz que lhes prpria, os Espritos recebem uma luz exterior que lhes falta segundo

as circunstncias, donde fora concluir que a obscuridade depende de uma causa ou de uma vontade estranha, constituindo punio especial da soberana justia, para casos determinados. Perg. (a So Lus). Qual a causa de a educao moral dos desencarnados ser mais fcil que a dos encarnados? As relaes pelo Espiritismo estabelecidas entre homens e Espritos do azo a que estes ltimos se Mais do que acontece em relao aos encarnados, como se v na cura das obsesses. R. (SOCIEDADE de Paris). O encarnado, em virtude da prpria natureza,

est numa luta incessante devido aos elementos contrrios de que se compe e que devem conduzi-lo ao seu fim providencial, reagindo um sobre o outro. A matria facilmente sofre o predomnio de um fluido exterior; se a alma, com todo o poder moral de que capaz, no reagir, deixar-se- dominar pelo intermedirio do seu corpo, seguindo o impulso das influncias E isso com facilidade tanto maior quanto os invisveis, que a subjugavam, atacam

de preferncia os pontos mais vulnerveis, as tendncias para a paixo dominante. Outro tanto se no d com o desencarnado, que, posto sob a influncia semimaterial, no se compara por seu estado ao encarnado. O respeito humano, to preponderante no homem, no existe para aquele, e s este pensamento bastante para compeli-lo a no resistir longamente s razes que o prprio interesse lhe aponta como boas. Ele pode lutar, e o faz mesmo geralmente Nenhuma cogitao de interesse material, de posio social se lhe antepe ao raciocnio. Luta por amor do mal, porm cedo adquire a convico

da sua impotncia, em face da superioridade moral que o domina; a perspectiva de melhor futuro lhe mais acessvel, por se reconhecer na mesma vida em que se deve completar esse futuro; E essa viso no se turva no turbilho dos prazeres humanos; em uma palavra, a independncia da carne que facilita a converso, principalmente quando se tem adquirido um tal ou Um Esprito inteiramente primitivo seria pouco

acessvel ao raciocnio, o que alis no se d com o que j tem experincia da vida. Demais, no encarnado como no desencarnado, sobre a alma, sobre o sentimento que se faz mister atuar. Toda ao material pode sustar momentaneamente os sofrimentos do homem vicioso, mas o que ela no pode destruir o princpio mrbido residente na alma; Todo e qualquer ato que no vise aperfeioar a alma, no poder desvi-la do mal. So Lus. BRASIL AJUDE-NOS A AJUDAR FRATERNIDADESEMFRONTEIRAS.GOV.BR

FONTES DE PESQUISAS KARDEC, Allan. O Cu e o Inferno (ou a Justia Divina) Segundo o Espiritismo; traduo de Salvador Gentile, reviso de Elias Barbosa. Araras-SP, IDE, 54 edio, 2015. 2 Parte Exemplos; Captulo IV. A Bblia do Caminho Testamento Kardequiano Captulo IV Os Espritos Sofredores. Encontrado em: www.bibliadocaminho.com

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